A História da Favela Julio Otoni

A comunidade Júlio Otoni, no bairro de Santa Teresa, existe desde 1950, quando um grupamento de migrantes nordestinos chegou em busca de trabalho. Desde então, veio se formando uma comunidade que hoje conta com aproximadamente 2000 pessoas, vivendo em condições precárias, no coração de uma das mais pitorescas áreas residenciais da cidade do Rio de Janeiro. Durante a década de 1990, a comunidade Júlio Otoni sofreu um incontrolável fluxo de expansão de habitantes, casas levantadas com materiais de baixa qualidade e em locais que oferecem risco. No final da década de 90, foi ocupada por um grupo organizado de traficantes de drogas.

Esses grupos dominaram a área e envolveram os moradores em atividades ilegais, em troca de ajuda e provisão de serviços que o Estado não garante. Este processo afeta primeiramente adolescentes e jovens que são presas fáceis desses grupos não apenas pela ausência de seus pais, ocupados no trabalho, mas também pela ausência de atividades ocupacionais disponíveis naquela favela. O resultado é uma comunidade vivendo em constante medo e apreensão, intimidada pelo crescimento de um poder paralelo e pelo dramático crescimento da violência e da posse de armas, transformando aquela antes pacífica comunidade em parte da triste estatística carioca.
Em 1994, graças a doações dos moradores das belas casas da Rua Julio Otoni, uma creche foi erguida e passou a oferecer cuidados para 60 crianças locais. A creche continuou a existir até hoje, mas, fruto de severas negligências entrou em decadência. Essa realidade está sendo revista pela iniciativa do Projeto Júlio Otoni (Veja mais em Creche Caçula).

Em 2002 um grupo de residentes da região formou a Associação de Moradores da Júlio Otoni (AMJO), para melhorar a qualidade de vida na favela e prevenir futuras ações de violência e atividades criminais.
Em 2004 as ONG REDEH e CEMINA começaram a se envolver com o cotidiano da comunidade, a partir da aquisição de uma área construída de 166m2 na comunidade. A idéia era criar um centro comunitário para desenvolver atividades focadas na transformação daquela área e especialmente oferecer alternativas para o segmento juvenil, tais como:

• Provimento de cursos e treinamentos de habilidade para jovens e mulheres desempregadas, especialmente artesanato com reciclados
• Treinamento em computador para crianças e adolescentes;
• Promoção de atividades culturais que envolvem a juventude, tais como dança, capoeira, música, etc;
• Promoção de intercâmbio entre membros da comunidade para a discussão de suas dificuldades (e potenciais soluções), seu sistema de valores, suas perspectivas futuras e a construção de garantias para uma cidadania pró-ativa.

The original Julio Otoni Community Centre

The original Julio Otoni Community Centre

O Centro foi inaugurado em 11 de setembro de 2004 com a participação de muitos moradores, especialmente as crianças da comunidade e representantes de diversas Organizações Não-Governamentais. As atividades foram se desenvolvendo de acordo com as necessidades prioritárias apontadas pela comunidade. A primeira foi uma aula de alfabetização para adultos da comunidade. Um curso de seis meses foi organizado e 20 adultos foram envolvidos e completaram com sucesso o curso. Em julho de 2006, a primeira Colônia de Férias aconteceu com o apoio de voluntários internacionais da organização Inglesa de voluntariado, I-to-I ( site) Na época foram feitas obras de reforma e um telecentro de informática foi instalado com a doação de computadores. A Colônia superou as expectativas, com mais de 50 crianças atendidas por dia, cujas atividades foram constituídas por oficinas de danças, atividades de arte, excursão e atividades esportivas. Ao fim de duas semanas de programação ficou claro que havia um impacto bastante positivo. Para dar a necessária continuidade àquela proposta foi firmada uma parceria com o Instituto Pólen, uma organização voluntária que tem sido bem sucedida na criação de programas similares em uma

The Julio Otoni Community Centre today

The Julio Otoni Community Centre today

favelapróxima, o morro dos Prazeres, desde 2002 e a Jinga, um empreendimento social da Inglaterra iniciado por voluntárias inglesas que trabalharam no Projeto Júlio Otoni e quiseram continuar a sua contribuição na mobilização de recursos para o Projeto.

Este programa tem tido um enorme sucesso há mais de dois anos com mais de 40 crianças sendo atendidas regularmente, integradas a atividades como Capoeira, Aulas de Inglês, Computação, Rádio, Artes e Artesanato, Excursões, bem como a continuidade das Colônias de Férias realizadas a cada recesso escolar (assista ao vídeo da Colônia de Férias 2008 aqui).

Há muitos sinais da mudança positiva na Comunidade Julio Otoni, a principal delas está no entusiamo com que muitas (os) jovens, mulheres e adultos tem se engajado nesse projeto conjunto. O Projeto Júlio Otoni tem hoje 3 áreas chave de ação:

• Desenvolvimento Comunitário e Cidadania
• Desenvolvimento das capacidades de Crianças e Jovens
• Desenvolvimento de empreendedorismo das mulheres

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